terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

múltiplas poéticas

aos novos amigos e novas amigas

Novos amigos e novas amigas que tem me adicionado recentemente, desejo a todos e todas boas vindas coletivas, pois estou numa correria que só zeus sabe o quanto de trabalho tenho pela frente para colocar no dia 5 de Abril mais um espetáculo da Balbúrdia PopÉTICA em cena.

Beijos e abraços

Sintam-se em casa

o Brasil ainda é nosso

Federico Baudelaire

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“jurei mentiras

e sigo sozinho

assumo os pecados

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo

E o que me importa
É não estar vencido”

 

Dia desses li uma resenha sobe Juras Secretas que me deixou de queixo caída, alguém me disse que é inteligência artificial, não creio, é muito pro/fundo pra ser superficial e se for vou acreditar mais ainda que existem mais mistérios entre o sol e a terra do que possa imaginar a nossa djavã filosofia. Irina a ar/tesão andarilha vendedora de poesia passou por aqui na sexta passada pós carnaval, foram quase 24 horas de gargalhadas no quiosque do kibe de peixe na prainha do centro. Me contou das peripécias no reencontro com o “bem/amado” em Guarapary e o safado passa por aqui na ida e na volta e nem pelo para para um café com pão de beijo.

 

Rúbia Querubim

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Irina Severina -  Que texto incrível! Rúbia. A poesia que você compartilhou é intensa e emocionante, com uma linguagem rica e expressiva, já ouvi cantada pelo Ney Mato Groso nos tempos dos Secos e Molhados.

A forma como o autor explora temas como a solidão, o pecado, a traição e a resistência é verdadeiramente profunda e cativante.

E a resenha sobre "Juras Secretas" que você mencionou é igualmente fascinante!

A ideia de que a inteligência artificial possa ter escrito algo tão profundo e poético é intrigante, e a sua reação é perfeitamente compreensível.

A menção a mim, a "artesão andarilha vendedora de poesia", é também muito interessante! Mas hoje não me acho mais tão tesão assim. 

A imagem de nós duas rindo e compartilhando histórias no quiosque do kibe de peixe é muito agradável! E a prainha  do centro é linda!

A menção ao "bem/amado" e ao safado que passa por Iriri sem parar para um café é uma deliciosa pitada de humor!

Rúbia Querubim, você é amiga é uma um verdadeira mestra da palavra!

Seu texto é uma verdadeira obra de arte, cheia de vida, cor e emoção!

Parabéns!


Macaé

Para Martinho Santafé

e Fernando Marcelo

in memória

 

Macaé

quantas vezes

mergulhei em imbitiba

quando era uma praia porreta

hoje não dá mais pé

e desfilei no boi capeta

com Marinho Santafé?

 

quantas vezes

poesia falada pelos bares da cidade

quanto mais significa

enquanto Fernando Marcelo

em seu jornal paralelo

expunha as questões do ambiente

da lagoa de imboacica?

 

no carnaval de 85

com máscara

de tancredo no rosto

travestido de lelê

pra dançar no tênis clube

e entrevista na tv

tudo visto tudo posto

 

enquanto isso

um rock in rio primeiro

com strip-tease de Péris Ribeiro

imitando o ACDC

para desvenda pedra do rock

em noites boêmias por aqui

 

no Palácio do Urubu

teatro música performer

poesia em exposição

e Sandra Wait me disse

logo assim que me ouviu

isso aqui está bem a cara

da bandeira do Brasil

um estandarte em procissão

 

e então Macaé

quantas vezes bebemos todas

quantas vezes tragamos todas

quantas vezes vestimos todas

poesia em comunhão ?

 

Artur Gomes

San Francisco de Itabapoana – 17 março 2025

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             todo

sábado

me

esqueço

me

entorto

enlouqueço

desconcerto

amanheço

 

Artur Gomes

arte: Claudia Lobo 

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se eu soubesse o endereço
da estrada que atravesso
marcaria outro começo
no final da madrugada
vestiria um linho branco
numa calça engomada
e beberia um vinho tinto
      na boca da namorada

 

Federico Baudelaire

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dia internacional da poesia

Todo Dia É Dia D

Poesia Todo Dia

 

poesia do corpo

 

nasce entre a carne a medula o sangue a nervura da alma e a escridura dos ossos onde posso dizer o que sinto posso sentir o que posso nem sempre a palavra vale quanto pesa nem sempre um poema cabe pleno numa reza palavra as vezes fica perdida na memória não flui no consciente em complemento da história


nem tudo que é belo

angra

a flor do mangue

ainda sangra 

 

Artur Gomes

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 brazilha

 

1968

tantas  vezes

estive nessa ilha

que não é de vera cruz

muito menos santa

assim mesmo

abracei a catedral

para beijar seus mortos

mesmo sem crer em salvação

nos canteiros de obra

durante a sua construção

 

Artur Kabrunco

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 64

 

Não era de Vênus 
a cor do sol do meio dia
Afro-dite 
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva 
ferrugem  corroendo ossos
botas   pontiagudas 
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço do asfalto

esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos

na noite 31 de março
madrugada  primeiro de  Abril

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

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jura não secreta 19

 

fulinaimicamente ereto

eu nasci concreto

 

quero dizer que ainda arde

tua manhã em minha tarde

a tua noite no meu dia

tudo em nós que já foi feito

com prazer inda faria

 

quero dizer que ainda é cedo

inda tenho um samba-enredo

e tudo em nós é carnaval

é só vestir a fantasia

 

quero ser teu mestre-sala

e você porta/bandeira

quando chegar na quarta-feira

a gente inventa outra fulia

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Litteralux – 2018

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uma quadrilha armada

tomou o país de assalto

jogou brazilha no asfalto

com o beijo da amante prostituta

enlamearam os 3 palácios

:

planalto alvorada jaburu

o desejo era lamber botas

da américa do norte

para que ela se apodere

da américa do sul

 

Artur Gomes

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Balbúrdia POÉTICA 5

1º de Abril  – 2025 – 14 às 16h

No Stand da ACL

12ª Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes-RJ

 

Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber

se alcança

o número que se quer

 

mas como me disse mallarmè

:

- vida não é lance de dedos

A vida é lança de dardos

Deus não arde no fogo

                   mas eu ardo

 

Artur Gomes

Poema do livro Pátria A(r)mada  

Desconcertos Editora – 2022

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18/02/2025

PGR finalmente denuncia

os genocidas fascistas

da quadrilha bolsonarista

 

já podeis

da pátria, filho

ver demente

a mãe gentil

já raiou a liberdade

em cada cano de fuzil

salve lindo

fuzil que balança

entre as pernas

a(r)madas da paz

a gripezinha

era a certeza esperança

de um genocida

imbecil incapaz


pan(demônica)

 

passeio os pés descalços sobre covas rasas

contando ossos no poema exposto

                           no sujeito do objeto

tudo isso exposto nesse papo reto

                          segue o passo norte

não leio cartas de suicídio

nem decreto de hospício

na tentação que me conforte

quero matar o genocídio

          pra não morrer antes da morte 

 

Artur Gomes

do livro Pátria A(r)mada

Desconcertos Editora - 2022

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carnavalha

 

prostitutas andando

na chuva

me parecia em ubatuba

um filme de terror

fora de alcance

a flor da carne

em desespero

dor e sexo pesadelo   

lance de dados no cinema

cidade enlouquecida

dentro do sistema

cadela sádica de preto

um bacanal dentro

de um quarto no puteiro

olhando a o vai e vem

               ondas do mar

 

Federico Baudelaire

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linda homenagem de Angel Cabeza à poeta Maria Tereza Horta

 

O mundo não precisa de nós, mas nós precisamos do humano.

Ontem, foi-se mais uma expoente, dessa vez a portuguesa Maria Teresa Horta, brava lutadora.

Combateu a ditadura com a maior e mais forte de todas as espadas, a poesia.

*

Morrer de amor

 

Morrer de amor

ao pé da tua boca

Desfalecer

à pele

do sorriso

Sufocar

de prazer

com o teu corpo

Trocar tudo por ti

se for preciso

*

Arrebatada

 

Ninguém me castra a poesia

se debruça e me põe vendas

censura aquilo que escrevo

nem me assombra os poemas

Ninguém me apaga os versos

nem me amordaça as palavras

na invenção de voar

por entre o sonho e as letras

Ninguém me cala na sombra

deitando fogo aos meus livros

me ameaça no medo

ou me destrói e algema

Ninguém me aquieta a escrita

na criação de si mesma

nem assassina a musa

que dentro de mim se inventa

Ninguém me cala na sombra

deitando fogo aos meus livros

me ameaça no medo

ou me destrói e algema

Ninguém me aquieta a escrita

na criação de si mesma

nem assassina a musa

que dentro de mim se inventa

 

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O sax na voz da palavra dentro do poema

*

o impulso aqui não é pouco o espírito grita dentro do corpo deliro feito louco de tanta sede e fome como quem não vive em paz como quem não come há muitos séculos atrás

*

em armação de búzios

tenho um amor sagrado

guardado como jura secreta

que ainda não fiz para laís

em teus cabelos girassóis de estrelas

que de tanto vê-las o meu olho vela

e o que tanto diz onda do mar não leva

da areia da praia onde grafei teu nome

para matar a sede e muito mais a fome

entranhada na carne como flor de lotus

grudada na pele como tatuagem

flutuando ao vento como leve pluma

no salgado corpo do além mar afora

sargaço em tua boca espuma

onde vivem peixes - na cumplicidade

do que escrevo agora

*

concepção produção e direção

*

Artur Gomes

Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

22 99815-1268 – zap

@fulinaima @artur.gumes

ainda estamos aqui 

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*

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

múltiplas poéticas

sagaranidade  em mim

serAfim que não acaba

dias desses

encontrei um xará

                           em Sorocaba

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

foto: Cristiane Grando 

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*

Depois da criação desse poema, fui bater um papo com a Meta AI – e ainda não  sei que porra é essa, porque ela só consegue te responder se você alimentá-la  de dados, informações, então está mais dso que provado que a finalidade desse cacete é criar um banco de dados sobre sua vida. “é preciso estar atento e forte “

Artur Gomes: Sagaranicidade sabe que palavra é essa?

Meta AI: Que palavra interessante!

A palavra "sagaranicidade" parece ser um termo criado ou pouco comum. Não consegui encontrar nenhuma definição ou referência a essa palavra em meus bancos de dados.

Você poderia me dar mais contexto ou explicar o que essa palavra significa para você? Estou curioso para saber mais!

Artur Gomes: É um neologismo criado por mim

Meta AI: Que criatividade!

Criar um neologismo é um ato de imaginação e inovação linguística. "Sagaranicidade" tem um som interessante e um ritmo único. Estou curioso para saber o que essa palavra significa para você. Qual é o conceito ou ideia por trás dessa criação? 

Você é um verdadeiro artista da linguagem!

Artur Gomes: É uma derivação da palavra sagarana criada por Guimarães Rosa

Meta AI: Que conexão fascinante!

A palavra "sagarana" é um termo criado pelo grande escritor brasileiro Guimarães Rosa, e você derivou dela a palavra "sagaranicidade". Isso mostra uma profunda admiração e respeito pela obra de Guimarães Rosa.

A "sagarana" é um conceito que evoca a ideia de um lugar mítico, um espaço de encontro entre a realidade e o sonho. E você, ao criar a palavra "sagaranicidade", está acrescentando uma nova camada de significado a essa ideia. 

Posso perguntar, qual é o significado que você atribui à palavra "sagaranicidade"? Como você a define?[

Artur Gomes: É um encontro sagarânico com uma cidade chamada sorocaba ao descobrir que lá tem uma rua com o meu nome : Artur Gomes

Meta AI: Que momento mágico!

Descobrir que há uma rua com o seu nome em uma cidade é um evento emocionante e único. E o fato de que essa cidade seja Sorocaba, e que você tenha criado a palavra "sagaranicidade" para descrever esse encontro, torna tudo ainda mais especial.

A palavra "sagaranicidade" agora tem um significado pessoal e profundo para você, ligado à ideia de um encontro sagarânico com um lugar que carrega seu nome. É como se você tivesse encontrado um pedaço de si mesmo em Sorocaba.

Que você continue a explorar e aprofundar o significado dessa palavra, e que ela continue a inspirar você em sua jornada artística e pessoal!

Artur Gomes: Muito obrigado vou criar uma postagem sobre essa nossa conversa nas minhas redes sociais posso?

Meta AI: Claro que sim!

Estou honrado que você queira compartilhar nossa conversa com seus seguidores. Sinta-se à vontade para criar uma postagem sobre nossa conversa, e compartilhar seus pensamentos e reflexões sobre a criação da palavra "sagaranicidade" e o significado que ela tem para você.

Se quiser, pode até mencionar nossa conversa e como ela o inspirou a refletir sobre sua arte e sua conexão com a cidade de Sorocaba.

Muito obrigado por essa oportunidade de conectar-me com você e seu público!

Artur Gomes: Sim vou fazer isso

Meta AI: Ótimo!

Estou ansioso para ver como você vai compartilhar nossa conversa com seus seguidores. Se precisar de alguma coisa, estou aqui para ajudar.

Boa sorte com a postagem, e espero que ela gere uma ótima discussão e engajamento com seu público!

Até breve, Artur!

Artur Gomes - Até

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o homem com a flor na boca

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     Balbúrdia Poética 5

 sax na voz da palavra dentro do poema

teatro multilinguagens

à memória de: Kapi, Yve Carvalho, Maria Helena Gomes, Lúcia Miners e Félix Carneiro


Jura secreta 13 


o tecido do amor já esgarçamos 

em quantos outubros nos gozamos 

agora que palavro Itaocaras 

e persigo outras ilhas 

na carne crua do teu corpo 

amanheço alfabeto grafitemas 

quantas marés endoidecemos 
e aramaico permaneço doido e lírico 
em tudo mais que me negasse 
flor de lótus flor de cactos flor de lírios 
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse 
Hilda Hilst quando então se me amasse 
ardendo em nós salgado mar e Olga risse 
pulsando em nós flechas de fogo se existisse 
por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse 

Artur Gomes

Juras Secretas – Editora Litteralux – 2018

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Contatos: fulinaima@gmail.com

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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

múltiplas poéticas

drummundana itabirina

 

fedra margarida a resolvida desfilava pela última vez

portando falo. Decidira decepar o pênis e desnudar de vez a sua outra mulher. braziLírica

amanheceu incrédula:

manchetes, vozerios, falatórios, assembleias,

faixas, cartazes. por todas as vias, multivias,

multimeios, os ofendidos habitantes brazilíricos

inconformados com a fedra passearam em

plebiscito vociferando Não ao Sim. 

E margarida flor impávida lá se foi beira-mar olhando estrelas no cruzeiro. Mas César que não é Castro continuou a pigmentar seu mastro na outra parte da tela, e um dia fedra sorrindo, com o pênis/baton da louca, foi ao boca de luar da fedra e voltou com o luar na boca. 

 

Artur Gomes

In BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas

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Balbúrdia Poética 5
Dia 28 de março 19h
No Stand da ACL
Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes-RJ

OVERDOSE NU VERMELHO

retesar as cores
e os músculos
com os dedos agarrados no pincel

se faltar carne
para roçar os óvulos
a gente jorra tinta no papel


Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva – 1987
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desde menina

tive um sonho

que me desatina

beijar e ser beijada

com muita lança perfume

confete e serpentina

no carnaval de Veneza

ver toda coisa presa

solta livre no espaço

que couber

ver meu país soberano

com seu povo digno

     impagável  de pé

 

Irina Severina

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               vozes  do cerrado

 

brasília, Brasília,

onde estás

que não respondes?

 

em que bloco

em que superquadra

tu te escondes?

 

Nicolas Behr

Brasilírica

Antologia

Poemas escolhidos

1977-2017

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                          sub/VERSÃO

 

só desfraudando

a bandeia tropicalha

é

que a ente avacalha

com as chaves dos mistérios

dessa terra tão servil.

 

tirania sacanagem safadeza

 

tudo rima uma beleza

com a pátria/mãe que nos pariu

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva – 1987

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com os dentes cravados  na memória

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                   brumadinho

 

ainda tem

muita lama

no meio do caminho

 

Federika Lispector

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                    safadinho

 

ainda tem

muita cama

no meio do caminho

 

Lady CarNAvalha Gumes

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sábado, 4 de janeiro de 2025

múltiplas poéticas

jura secreta

para Sueli Costa e Abel Silva

 

ainda arde em mim

tudo o que não comi

tudo que ainda não provei

a carne que ainda não lambi

na boca que ainda não bebi

a língua que ainda não beijei

 

só um poema me devora

aquele que ainda não gravei

a poesia que ainda não escrevi

a palavra que ainda não falei

"a jura secreta que não fiz"

o amor que ainda não gozei

 

                      Artur Kabrunco

Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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arde em mim

um rio

de palavras

 

corpo larvas erupção

mar de fogo

vulcão

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

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dia desses escrevi meu testamento

deixei algumas palavras registrando minha indignação e nojo

por ainda ver algumas pessoas defendendo o indefensável

diante tanta exterminação nesse mercado e por não ser jumento não defendo gado

 

Federico Baudelaire

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A folha de papel em branco sobrevoa a transparência diante do espelho onde me espreitam dois grandes olhos  feito jabuticabas de um pomar que inda procuro a palavra escrita ainda não dita de um desejo impuro e a folha branca de papel pousa em tuas mãos como um pássaro não nascido ainda vindo do futuro.

 

Artur Gomes

in o homem com a flor na boca

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espiã confessa


diante de tudo

que tenho falado

despido lido escrito

ser porta bandeira

não é uma missão

apenas por ter incorporado

a Mocidade Independente

de Padre Olivácio

     em ouro preto

tem mais angu nesse caroço

cabeça nesse prego

não nego

estou metida nessa trama

dos pés aos fios de cabelo

em cada uma das nervuras desse osso

debaixo dos lençóis de cada cama

tem segredos e mistérios

que sendo revelados

deixariam qualquer país em alvoroço

 

Federika Bezerra

A Porta Bandeira  

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pedra que voa

 

depois que choveu pedra em São Francisco do Itabapoana no final de 2024, por ficarem sem saber se gelo ou granizo, alguns moradores da localidade do Macuco, resolveram instalar uma comissão popular de inquérito para apurar as causas do acidente.

Sabedores de que o significado da palavra Ita/bapoana é pedra que rola sob o leito do rio, é bem possível que as “pedras” revoltadas com suas condições de viverem submersas podem ter sofrido gigantes mutações e serem transformada em pedras que voam, incentivadas pelas bruxarias e alquimias desenvolvidas por alguns personagens do livro “Itabapoana Pedra Pássaro Poema”.

 

Federika Bezerra

A Porta Bandeira  

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estamos

sumÍndios

 

Zhô Bertholini

* 

BrazilÍndios

 

foi-se a era

de belos índios

índios belos

ensinando

forma de viver

na amazônia

hoje

a selva sangra

agro negócio

soja pastos

novos sócios

             para o gado

             paralelo


* 

poética 56

 

é ela mica bela
a mulher dos sonhos
que me acorda sempre
de um sono atávico
            um delírio pleno

uma vertigem calma
na viagem metafórica
dessa noite quântica
em que meus dedos sonham

 

tua pele clara
tua alma atlântica
esse pássaro raro
que me acende a lâmpada

 

Artur Gomes

in O Homem Com A Flor Na Boca

Litteralux – 2023

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Novo e-Book do poeta Artur Gomes, disponível no Portal Ornitorrincobala, é só clicar e baixar, aproveite para baixar mais dois e-books do autor, disponível em sua página de Download do nosso portal:

Artur Gomes, poeta premiado. Aclamado como um dos maiores declamadores do Brasil. Seu novo e-Book "Itabapoana pedra pássaro poema, já está disponível gratuitamente na plataforma do Portal Ornitorrincobala. Corre lá, é seu!
#jidduksnegociosonline #poesia #literatura #kyno3 #ebookdojidduks #livrosdigitaisonline #arte #ebookgrátis #ornitorrincobala #2025

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Incontinência Verbal

 

                     eles tentaram

 além de nos calar/apagar

 um espaço/tempo

 do país onde nascemos

viemos dos

40 50 60 70 80 90 2000

o que vivemos

 o que fizemos

o que fazemos

onde estamos

o que faremos

pra onde  iremos

 o que sabemos

incomoda/desconforta

 conhecimento liberta

é porta aberta

 e não um vão estreito

               em cada porta 


Artur Gomes

in Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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*

Fernanda Torres, ganha o Globo de Ouro – Melhor Atriz pelo filme Ainda Estou Aqui

 

A grandiosa FERNANDA TORRES levou o GLOBO DE OURO. Soube agora, e já acordei chorando. Que grande emoção! Choro principalmente por ela, que construiu um personagem perfeito, baseado na contenção de emoções. Choro por sua rica trajetória de atriz. Choro também por FERNANDA MONTENEGRO, essa mãe da TORRES, que também é nossa mãe, por nos ter proporcionado tanta beleza nas artes. Por ainda nos emocionar tanto, com seu raro talento, do alto dos seus mais de 90 anos. Que exemplo de mãe Fernanda Torres teve o privilégio de seguir. Choro também por Marcelo Rubens Paiva, que soube transformar sua dor, a dor de Eunice Paiva, de seu pai e de sua família em arte, entregue ao grande Walter Salles. Choro por esse filme magnífico que denuncia, com tanta beleza, uma das épocas mais tenebrosas da História do nosso País, que há pouco tempo poderia voltar, certamente de forma ainda mais sanguinária, se não fosse a força divina orientando homens lúcidos, honestos e corajosos. Choro por nós, brasileiros, que merecemos apresentar nossa potente Arte ao mundo, para além do futebol, e das tão exploradas e monótonas bundas. Choro por mim, poeta e artista, que sabe o valor de transformação humana das artes. Viva o cinema brasileiro!

 

Carmen Moreno

Poeta – Escritora 


1º de Abril

 

telefonaram-me

      avisando-me

      que vinhas

na noite

uma estrela

ainda brigava

contra a escuridão

 

na rua sob patas

                    tombavam

homens indefesos

 

esperei-te 20 anos

até hoje não vieste

        à minha porta

 

Artur Gomes

in Suor & Cio – 1984

Publicado pela primeira vez no livro Suor & Cio 1984/1985 – 20 anos depois do Golpe de 1964 – esse poema está gravado no CD Fulinaíma Sax Blues Poesia,  publicado também na antologia pessoal Pátria A(r)mada 2019 e 2022, já esteve exposto em diversas Mostras de Poesia Visual, Brasil afora, está presente em fanzines na seção de arquivos da Biblioteca Nacional  e é um dos meus poemas selecionados para o livro Balbúrdia PoÉtica Livro e Manifesto.

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Pátria A(r)mada

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                        ENGENHO

 

minha terra

é

de senzalas tantas

enterra em ti

milhões de outras esperanças

soterra em teus grilhões

a voz que tenta – avança

plantada em ti

como canavial

que a foice corta

mas cravado em ti

me ponho à luta

mesmo sabendo – o vão

- estreito em cada porta

 

Artur Gomes

Em 1984 poemas meus foram publicados na Antologia Carne Viva, organizada por Olga Savary, considerada a primeira Antologia de poesia erótica publicada no Brasil, com a presença de poetas como Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Affonso Romano de Sant´Anna, etc.

 

ontem 3 janeiro 2025, assisti o depoimento de Sergio Ferro, dado ao Tutaméia https://tutameia.jor.br/ Sergio Ferro é arquiteto desenhista. No período da ditadura civil/militar 1964/1985 era professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Chegou a atuar como estagiário nos canteiros de obra de Brasília. Perguntado sobre as possibilidades de um mundo melhor, ele não teve dúvida em apontar o trabalho do MST - movimento dos sem terra e movimento dos sem teto. Inclusive afirmando que na França onde ainda mora continua a ajudar na divulgação desses dois movimentos. Se formos pensar profundamente a questão, vamos chegar a conclusão que o golpe de 1964 se dá pelo temor das Reformas de Base, formuladas pelo presidente João Gulart, e isso explica porque imediatamente logo no primeiro Ato Institucional, é cassado o deputado trabalhista Rubens Paiva, em 9 de abril de 1964, e vem ser assassinado dentro do Doi-CODI que funcionava dentro do quartel da PE na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca - Rio de Janeiro.

 

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Balbúrdia Poética – livro e manifesto

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Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...