quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Baalbúrdia PoÉtica

vamos invadir sua praia

Balbúrdia PoÉtica – Edição Especial

mm comemoração ao aniversário

de Reubes Pess

Dia 21 de fevereiro – Praia do Sossego – São Francisco de Itabapoana-RJ 

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https://www.youtube.com/watch?v=Oen8WRtaZ4A&list=RDOen8WRtaZ4A&start_radio=1

         FULINAÍMA

misturei meu afro reggae a muito xote

do xaxado ainda fiz maracatu

maxixe frevo já juntei ao fox trote

quando dancei bumba meu boi em pernambuco

fulinaíma é punk rock

rasgando fados em bossa nova

feito blues

para pintar a pele branca de vermelho

e repintar a pele preta de azuis...

botei sanfona no rufar desse baião

tambor de minas capixaba no lundu

no paraná berimbau de capoeira

dancei em noites de luau no maranhão


mas em são paulo pedras quando rolam

pelos céus de nossas bocas meus irmão

fulinaíma azeita o caldo da mistura

para fazer o que não jazz ainda soul

porção de restos de alguma partitura

que algum músico com vergonha recusou

por ser estranho o que naquilo descobriu

mas se a gente canta no cantar essa ternura

é que mamãe mamãe mamãe macunaíma

ainda chora pelas matas do Brasil

 musicado e gravado por Reubes Pess 

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vamos invadir sua praia

Balbúrdia PoÉtica

Edição Especial em comemoração

ao aniversário de Reubes Pess

dia 21 de fevereiro - 2026 - praia do Sossego

São Francisco de Itabapoana-RJ

Artur Gomes + Reubes Pess + Adriana Medeiros + Dalton Freire + Nya Maia + músicos convidados

 *

Terra de Santa Cruz

Artur Gomes/Reubes Pess

câmera: Federico Baudelaire 

FULINAÍMA MultiProjetos

Roteiro & Direção: Artur Gomes

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https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1366124026815847/?hc_ref=PAGES_TIMELINE 

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Balbúrdia PoÉtica

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Fulinaimanicamente Voz Digo Itabapoana 

Descobrirei teu sobre nome antes que a lua se alinhe em Júpter nos meus anéis de Saturno nesse poema noturno antes do amanhecer  segunda ou terça que não seja feira pra comprar alface ela não passa no meu facebook faz um temporal danado acho que vai chover relâmpagos riscam o céu de nuvens cinzas  enquanto tem um blues rasgado aqui nessa terra de santa cruz que nunca foi santa muito menos ilha pela manhã num papo com Reubes Pess vamos invadir o sossego sábado 21 numa balbúrdia fulinaímica antes que essa praia de Itabapoana seja somente pedra que rola mas não voa 

Artur Gomes

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

Por Onde Andará Fulinaíma?

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fulinaimanicamente voz digo

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Porque hoje é Domingo 

tem uma abelha fabricando mel no meu pé de Amoras,  Mautner inda não viu Jorge cantando no terreiro. Aroldo não sei por quantas andas e amanhã já é fevereiro. Sexta-feira vi Kaline cuidando das nossas conexões sensoriais e de um outro pai na terra. Drummond preparar uma canção, Milton cantou. Eu preparo novas Balbúrdias para março abril em maio e  algumas viagens com o  meu íntimo SerAfim para o meu interior afro/tupiniquim. 

Artur Gomes

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Sobre as Balbúrdias PoÉticas, 12, 13 e 14

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Que incrível! O poema "MARÇAL TUPÃ" é  uma celebração vibrante da cultura Afro-Tupy, misturando música, tradição e arte. A imagem com indígena com pintura facial tradicional e acessórios de plumas é um convite visual para mergulhar nessa rica herança cultural brasileira.

- Conexões e Inspirações:

- O texto menciona vários nomes e elementos que sugerem uma conexão profunda com a poesia, a música e a cultura brasileira, como Mautner, Jorge, Aroldo, Kaline, Drummond e Milton.

- A menção a "Balbúrdias PoÉticas" e ao blog "(https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/)" indica que Artur Gomes está envolvido na organização de eventos poéticos e culturais.

- Afro-Tupy e Identidade:

- A fusão de elementos Afro e Tupy na cultura brasileira é um tema rico e complexo, refletindo a diversidade e a mistura de influências do Brasil.

- A Balbúrdia PoÉtica  celebra essa identidade cultural única.

Você gostaria de saber mais sobre a cultura Tupi ou sobre os eventos de poesia e música mencionados?

                      Irina Fulinaímica

Balbúrdia PoÉtica 12

Dia 14 de março 19h

Casarão Centro Cultural

Rua Salvador Correia, 117

Campos dos Goytacazes-RJ

Uma homenagem ao Poeta Castro Alves

no Dia Nacional da Poesia

com Artur Gomes, Adriana Medeiros e Dalton Freire

Marçal Tupã

 

poema de Artur Gomes

dos livros: Suor & Cio - 1985

Pátria A(r)mada - 2022

musicado e gravado

por Paulo Ciranda

 *

meu coração marçal tupã

sangra tupy & rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

* 

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https://www.youtube.com/shorts/Boc9bqDOSms

Por Onde Andará Macunaíma?

*

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

Produção: Nilson Siqueira

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Balbúrdia PoÉtica 14

Dia 31 de maio - no Museu do Sal

São Pedro de Aldeia-RJ

Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso

Performance PoÉtica

com Tanussi Cardoso, Artur Gomes, Adriana Medeiros, Dalton Freire, José Facury Heluy e Jorge Ventura - entre outros.


SUBSTANTIVOS

 

faca é faca

pão é pão

fome é fome

amor é amor

estranho desígnio das coisas

de serem exatamente elas

quando as olhamos sem paixão

 

Tanussi Cardoso


A poesia pulsa

para Tanussi Cardoso

aqui

a poesia pulsa

na veia

no vinho

no peito

no pulso

na pele

nos nervos

nos músculos

nos ossos

posso falar o que sinto

posso sentir o que posso

aqui

a poesia pulsa

nas coisas

nos códigos

nos signos

os significantes

os significados

aqui

a poesia pulsa

na pele da minha blusa

na íris dos olhos da minha musa

toda vez que ela me usa

nas iguarias de Bento

quando trampo mais não troco

quando troco mas não trapo

nas pipas

nos vinhedos nos arcos

nas madrugadas dos bares

sampleando o bolero blues

rasgado num guardanapo

o poema pra Juliana

escrito na cama do quarto

no copo de vinho

na boca de Vênus

na bola da vez da sinuca

sangrada pelo meu taco

aqui

a poesia pulsa

nos cabelos brancos da barba

nas gargalhadas de Bacca

na divina língua de Baco

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

Editora Penalux – 2020

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Fulinaíma MultiProjetos

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Curadoria: Lis Badu

Produção: Nilson Siqueira

Direção: Artur Gomes

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 Balbúrdia PoÉtica 13

Poetas Homenageados:

Ademir Assunção e Frederico Barbosa

À Memória de Oswald de Andrade

Última semana de Abril

Data e local – definição está aos cuidados do curador – Cesar Agusto de Carvalho

 

TANTO ÓDIO CARLOS

 

o mundo é grande

 e tem extremos

 

tem estrela e tem estrume

tem perfume e tem veneno

 

tem dias a gente ama

tem dias a gente briga

 

mundo vasto mundo

mundo malo mundo bueno

 

não me chamo raimundo

mas algo estranho me intriga

 

como cabe tanto ódio

num caráter tão pequeno

 

Ademir Assunção

do livro

Risca Faca (2021)

editora Demônio Negro

https://www.demonionegro.com.br/product/risca-faca/


Por Onde Andará Macunaíma?


Fulinaíma MultiProjetos

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fulinaimanicamente foz digo

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                cada lugar na sua coisa

 

Um livro de poesia na gaveta
Não adianta nada
Lugar de poesia é na calçada
Lugar de quadro é na exposição

Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Lugar de samba-enredo é no asfalto

Aonde vai o pé, arrasta o salto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde a pé vai, se gasta a sola
Lugar de samba-enredo é na escola

 

Sérgio Sampaio

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https://www.youtube.com/watch?v=Gk0r77JTzp8&list=RDGk0r77JTzp8&start_radio=1

Eu Quero è Bota Meu Bloco Na Rua

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Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM

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drummundana itabirina

fedra margarida a resolvida desfilava pela última vez portando falo. Decidira decepar o pênis e desnudar de vez a sua outra mulher. braziLírica amanheceu incrédula: manchetes, vozerios, falatórios, assembleias, faixas, cartazes. por todas as vias, multivias, multimeios, os ofendidos habitantes brazilíricos inconformados com a fedra passearam em plebiscito vociferando Não ao Sim.

 E margarida flor impávida lá se foi beira-mar olhando estrelas no cruzeiro. Mas César que não é Castro continuou a pigmentar seu mastro na outra parte da tela, e um dia fedra sorrindo, com o pênis/baton da louca, foi ao boca de luar da fedra e voltou com o luar na boca. 

 

Artur Gomes

poema para o livro

Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma

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 *

Que poema complexo e provocativo! A interpretação pode variar, mas aqui vai uma tentativa:

O poema parece ser uma metáfora sobre a liberdade e a opressão, usando a imagem de Fedra (personagem da mitologia grega) como símbolo de uma mulher que decide romper com as convenções e assumir seu próprio desejo.

A "resolvida" Fedra decide "decepar o pênis" e "desnudar de vez a sua outra mulher", sugerindo uma libertação da opressão patriarcal e uma descoberta da própria identidade e desejo.

A reação da sociedade ("braziLírica amanheceu incrédula... os ofendidos habitantes brazilíricos inconformados") mostra a resistência às mudanças e a dificuldade de aceitar a liberdade e a autonomia das mulheres. 

A imagem de Margarida (outra referência literária, talvez a Margarida de Goethe) "flor impávida lá se foi beira-mar olhando estrelas no cruzeiro" sugere uma busca por liberdade e transcendência.

O final, com César (talvez uma referência a César Vallejo ou a um símbolo de poder) continuando a "pigmentar seu mastro" e Fedra voltando com "o luar na boca", pode ser visto como uma afirmação da resiliência e da capacidade de encontrar a própria luz e liberdade, apesar da opressão.

É um poema que desafia a interpretação e convida a refletir sobre a liberdade, o desejo e a opressão. O que você acha?

 

                                     Rúbia Querubim

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 fulinaimanicamente falando

voz digo : Itabira

a nossa senhora da conceição

do mato dentro me engoliu

inteiro como uma sucuri

quando engole um boi

à beira do amazonas

ontem me perdi na zona

com Maria Antonieta

voltamos  de bicicleta

não passa uber por aqui

nas madrugadas nem fomos de táxi

porque também não tem

iluminação pública inexiste

nos salvou da escuridão

um bando de vagalumes boêmios

com suas lanternas sob as asas

 

Federico Baudelaire

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*

Que delícia de texto!  Federico mistura elementos da natureza, da cultura e da vida noturna de uma forma surreal e poética.

A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.

A ausência de Uber e táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.

Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.

O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?

Irina Fulinaímica

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porque hoje é domingo

 

sempre desconfiei da convicção do cão raivoso, que baba pelas ventas, e sempre inventa uma mentira cabeluda, querendo mostrar que o outro é exatamente o que ele é, no seu templo de trevas se dizendo evangélicas, angélica sempre me dizia na hora do almoço: “olha tome muito cuidado com o discurso desse pastor de porta de cadeia defendendo assassinos condenados, muito cuidado, com caminhadas pra Brasília de quem não fez nada de bom para você, e afrontam a ordem pública fingindo que querem a  libertação de um genocida, quando na verdade querem mesmo é fazer campanha eleitoral”.

Federico Baudaleire – o afilhado de Pastor de Andrade – Patronmo da Igreja Universal do Reino de Zeus. Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta No Inconsciente Coletivo

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para

excitar os meus neurônios

           na travessia da existência

           entre anjos e demônios

                      poesia é resistência

 

Federico Baudelaire

Irina Amaralina Severina Serafina

https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

distante teresina

 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

*

Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

*

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Encruzilhadas do SerAfim

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

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A Biografia de Um Poeta Absurdo 

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

*

Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

Baalbúrdia PoÉtica

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